quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

ESCREVER, COZINHAR E CANTAR

Escrever...
Cada um tem a sua opinião do que realmente vale a pena nesta vida. E assim, para que não se passe da posição de um ser que é faixa preta para um indivíduo que toma tarja preta, fazemos valer de nossas opiniões tentando melhorar sempre.
Comecei escrevendo.
Na verdade sempre escrevi. Limpando minhas gavetas achei crônicas antigas, que escrevi ainda na escola e com vergonha de fazer vir a público engavetei.
O que eu não sabia nesta época é que para se esconder um texto não há nada melhor do que colocá-lo a público... muito difícil que alguém leia e quando isso acontece também é difícil que alguém leia até o fim.
Mesmo assim insisto. Porque escrevo para mim. Porque escrever é gostoso, um desabafo. E porque algumas pessoas se interessam e isso me deixa feliz.
Então me empenho, tento melhorar, e escrever me provoca - eu acho - o mesmo prazer dos palestrantes do Hyde Park. Eles falam para eles. E é o que eu faço porque me dá prazer.


Cozinhar...
Alguns anos depois de inaugurar o meu blog me interessei pela manufatura da comida. Plantas, cheiros, massas, carnes, peixes, grãos e a multiplicidade de suas formas de preparo. Fascinante.
Passei muitos anos da minha vida experimentando e descobrindo sabores e olores, mas há algum tempo comecei a me interessar pela preparação. Pelos temperos e suas combinações com os diversos ingredientes. E a simples idéia de que a sua cozinha é um grande laboratório, igual àqueles que a gente brincava quando criança, misturando líquidos que mudavam de cor, é muito interessante!
Então ir ao supermercado para mim adquiriu um novo significado. Compro coisas que nunca tinha ouvido falar e experimento diversas combinações às vezes com embasamento de uma receita escrita por algum maluco que já fez aquilo, outras vezes à mão livre. Seguindo minhas próprias intuições.
No início da minha saga culinária até criei a receita do 4. Em um grande recipiente eu colocava 4 medidas de tudo o que havia disponível na geladeira. Uma receita dinâmica, nunca tinha o mesmo gosto, era sempre surpreendente. Só parei porque o meu trato gastro-intestinal reclamou muito e pediu de joelhos para não comer mais aquilo…
Apesar dos contratempos, é surpreendente o número de vezes em que crio gostos perfeitamente comestíveis e por que não admitir, muito bons.
Cozinho também para mim, mas ao contrário de escrever, percebo que a receptividade a esta atividade de forno e fogão é muito maior. As pessoas gostam de ter experiências gastronômicas e eu adoro cozinhar para os meus amigos porque isso me traz um enfoque muito mais social, fazendo com que eu tenha uma sensação completamente diferente da que tenho quando escrevo. E é igualmente bom!
Aparelhar o meu laboratório gastronômico então virou um pequeno hobby. Minha cozinha é pequena e o meu maior desafio é torná-la funcional. Fico planejando por dias antes de adquirir um novo aparato e geralmente uso muito tudo o que compro. É demais esse lance de planejar e usar e ver como todo o seu pequeno investimento é tão funcional.
Todo mundo devia experimentar fazer isso um dia.


Por fim cantar...
Sempre cantei. Mas assim como fazia quando escrevia, me escondia. Tinha vergonha da minha voz pequena, rouca, grave. Cantava para dentro de mim ou para quem quisesse ouvir quando estava no banho.
Um dia perdi a vergonha. Descobri que a minha voz é bonita. Que canto bem e que tem gente que gosta de me ouvir.
É um misto das sensações que tenho ao escrever (para mim) e cozinhar (para os outros). Considero um arremate.
Então eu canto, canto sempre, canto sem medo... tá, às vezes ainda dá medo.
Mas isso me deixa feliz!

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